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Panorama BR dá as boas-vindas aos seu leitores e amigos por meio deste vídeo gerado pela Inteligência Artificial (IA).

 

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Editorial


Estamos de volta!

Parafreseando a famosa canção, "assim se passaram 10 anos" desde a nossa última publicação, Aqueles que leem este editorial podem estar perguntado o porque disso. Assuntos de natureza pessoal é a resposta. Mesmo com este longo tempo de ausência, não pude deixar de notar que todos aqueles que acompanham este blog, também acompanham os vídeos que postamos em nosso canal no YouTube. Esse foi o principal motivo para a nossa volta: a fidelidade demonstrada por todos os amigos e amigas de Panorama BR até hoje, algo que, sem demagogia, me deixa comovido. E é por vocês que retomarei o compromisso firmado desde o início e que pode ser conferido no vídeo de IA (Inteligência Artificial): publicar artigos, análises, matérias, podcasts (em um futuro próximo), reportagens e vídeos sobre artes, atualidades e cultura em geral feitos de modo democrático, independente e livre. E assumo aqui mais um compromisso: publicar pelo menos um texto por mês. E, sempre que se mostrar necessário, atualizarei os textos mais antigos como fiz recentemente com a matéria sobre o maior time de futebol da história dos EUA, o New York Cosmos (que vocês podem conferir clicando no link que está na coluna "Postagens Populares" no lado direito da página). Para esta volta, iniciaremos com uma Série Especial sobre um tema da moda que é, ao mesmo tempo, muito polêmico: a Inteligência Artificial (IA) e como ela está influenciando e sendo usada atualmente nas artes em geral e nas suas manidestações audiovisuais em particular. É muito bom estar de volta! Quero, de todo o coração, agradecer por todo o apoio que vocês tem dado ao trabalho feito com amor em Panorama BR e que nossa volta possa ser longa, útil e agradável. João Carlos Correia.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A luta das mulheres no cinema contra o preconceito e a violência

Cena do filme Mustang

Em 1972, o ex-Beatle John Lennon juntamente com sua esposa, a artista plástica Yoko Ono, lançaram uma canção intitulada “Woman is the Nigger of the World” (“Mulher é o Negro do Mundo”) cujos versos iniciais dizem:
“Woman is the nigger of the world / Yes, she is…think about it / Woman is the nigger of the world / Think about it…do something about it”;
“We make her paint her face and dance / If she won’t be a slave, we say that she don’t love us / If she’s real, we say she’s trying to be a man / While putting her down, we pretend that she’s above us”;
(“Mulher é o negro do mundo / Sim, ela é… Pense sobre isso / Mulher é o negro do mundo / Pense sobre isso… Faça alguma coisa sobre isso”;
“Nós a fazemos pintar a sua face e dançar / Se ela não for uma escrava, nós dizemos que ela não nos ama / Se ela é verdadeira, nós dizemos que ela está tentando ser um homem / Enquanto nós a colocamos para baixo, fingimos que ela está em cima de nós”).
Esta canção foi considerada forte à época de seu lançamento. Mesmo no tempo presente, ela é considerada assim, mas, nestes dias em que estupros coletivos e outros tipos de violências – físicas ou morais – contra as mulheres são, infelizmente, cada vez mais comuns, ela soa mais atual do que nunca.
Dois filmes de diretores estreantes lançados recentemente, refletem e reforçam simultaneamente os versos da canção. O primeiro é o filme turco Mustang (idem, 2015), da diretora Deniz Gamze Ergüven. O filme conta a história de cinco adolescentes órfãs que vivem em uma pequena aldeia no interior da Turquia cuja sociedade é retrógrada e de moral ultra-conservadora. No último dia de aula na escola, elas juntam-se a um grupo de rapazes para brincarem, inocentemente, na praia. Uma vizinha testemunha a brincadeira e, escandalizada, afirma que elas se comportaram como prostitutas. O tio das meninas obriga-as a irem ao hospital para fazer um teste de virgindade e fecha-as em casa durante todo o verão. As atividades domésticas substituem a ida à escola e começam-se a arranjar casamentos. As meninas, animadas pelo desejo de liberdade, procuram por todos os meios contornar as regras que lhes são impostas. O nome do filme, além de referir-se a uma raça de cavalos selvagens, é uma metáfora da adolescência: ardente, poderosa e sensual.
A jovem – e bonita – cineasta diz ter sentido a necessidade de explicar “o que é ser mulher nos dias de hoje na Turquia, uma questão que está a ser muito debatida e que é muito polemica neste momento na sociedade turca, onde as mulheres e as adolescentes pouco podem se exprimir”. E acrescenta:
“Eu quis fazer destas meninas umas heroínas, figuras de coragem, de inteligência, de perseverança e de uma série de valores que raramente as mulheres têm no cinema. Elas fazem-me lembrar um pouco James Dean, há algo de contestatário, mas bonito, com toda a beleza, a frescura, a juventude. E mesmo que isso possa ser considerado um ponto de vista crítico, é uma crítica importante e que gera algo positivo”.
O filme foi exibido no último Festival de Cannes e ganhou o prêmio “Label Europa Cinemas” da seção “Quinzena dos Diretores”.
A indústria cinematográfica na Etiópia é paupérrima, tendo lançado somente quatro filmes até hoje. Seu filme mais recente chama-se Difret (idem, 2014), dirigido por Zeresenay Mehari, que também é o autor do roteiro baseado em uma história real. O filme conta a história ocorrida há 20 anos atrás da jovem Hirut. Com apenas 14 anos, Hirut é uma excelente estudante cuja morada fica a três horas da capital etíope, Addis-Abeba. Um dia, quando retornava da escola, Hirut é raptada por homens a cavalo para casar-se com um deles. O rapto pré-nupcial é um costume muito antigo que sobrevive na Etiópia em pleno século XXI. Porém, Hirut não quer tornar-se uma esposa tão nova, recusa-se a casar e é violentada. Ela escapa do cativeiro e mata seu raptor. Ao ser acusada de assassinato, uma advogada de Addis-Abeba decide ajudá-la. É o confronto entre dois mundos: o moderno e o arcaico.
O filme tem produção executiva de Angelina Jolie e recebeu, em 2014, o prêmio do público dos festivais de Berlim, Sundance e do Cinema Mundial de Amsterdam. Na língua amárica, a língua oficial da Etiópia, “difret“ significa “coragem”.
Difret foi lançado em circuito comercial na Alemanha em 12 de março último e Mustangfoi lançado na França em 15 de junho (e, se não houver censura por parte do governo local, estréia na Turquia em outubro, em dia ainda a ser definido). Ainda não há previsão para lançamento de ambos os filmes em circuito comercial no Brasil.
Aproveito a oportunidade para dedicar este modesto texto a todas as mulheres do mundo.

Veja o trailer do filme Mustang (legendas em francês):

Veja o trailer do filme Difret (legendas em espanhol):

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